Soraya Thronicke se diz preocupada com imagem do Brasil no exterior

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Senadora Soraya Thronicke presidiu audiência pública na Comissão de Agricultura (Foto: Agência Senado)

A senadora Soraya Thronicke (PSL-MS) manifestou-se preocupada com a imagem no Brasil no exterior, durante audiência pública a qual presidiu ontem na CRA (Comissão de Agricultura do Senado).


Ela disse estar "muito preocupada" com o que está ocorrendo. Sem citar o nome do grupo econômico, informou que uma rede de supermercados da Nova Zelândia também começou a boicotar os produtos importados do Brasil.


A audiência foi com representantes de órgãos ligados à exportação da produção agrícola.


Thronicke também considera "injusta" a má imagem do Brasil no exterior, pois entende que nosso país não negligencia a pauta ambiental. 


Ela chegou a sugerir ao presidente da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), Celso Moretti, também presente à audiência, que exporte a tecnologia brasileira de reflorestamento para a União Europeia.


“O Brasil é agro, mas também é verde. Que a Embrapa ajude a União Europeia, já que eles desmataram todas as suas florestas e emitem tanto CO². Estou muito preocupada, precisamos ajudá-los. A Embrapa precisa levar a eles a tecnologia de reflorestamento que implantou aqui. Eu conheço produtores de grãos brasileiros interessados em exportar as sementes. Convido as mais de 100 ONGs milionárias do Fundo Amazônia a também aderirem a esta causa, vamos criar um fundo mundial de reflorestamentos”, pediu.


Movimentos articulados 


Para o secretário de política externa comercial do Itamaraty, o diplomata Norberto Moretti, o Brasil está "perdendo a guerra da informação" para movimentos articulados internacionalmente, que tem o interesse comercial de prejudicar nosso agronegócio. 


Ele avalia que a situação está "degenerada" e por isso o Brasil precisa realizar um esforço unificado para recuperar o prejuízo e reverter percepções "distorcidas" que vêm se cristalizando.


“A imagem de nosso país no exterior tornou-se uma preocupação de todos, no governo e no setor privado. Virou um tema de crucial relevância. Uma percepção equivocada sobre nosso agronegócio vem se sobrepujando, resultado em parte de ignorância, em parte de má-fé e interesses inconfessáveis. Várias forças se conjugaram visando consolidar uma imagem equivocada sobre a sustentabilidade ambiental e a segurança social de nosso agro”, disse.


Buscando responder a este quadro, Moretti acrescentou que o Itamaraty juntou-se ao Ministério da Agricultura e a outros órgãos governamentais visando reverter a "guerra de narrativas".


“Monitoraremos o que vem sendo feito e disseminaremos as informações certas. O Estado brasileiro precisa de uma narrativa integrada, baseada em dados científicos sólidos publicados por instituições respeitadas aqui e lá fora. Isso é uma guerra travada em diversas batalhas, e nós precisamos vencer. No momento estamos perdendo. Uma notícia equivocada num jornal pode sim gerar prejuízos. Parte de nossa estratégia será usar as redes sociais para disseminar as informações corretas e recompormos nossa imagem”, revelou.


Segundo os participantes da reunião, cada vez mais o Brasil tem sido associado a desmatamentos, abuso de agrotóxicos e descaso com a pauta ambientalista pela mídia e movimentos sociais internacionais, e é preciso que o Estado brasileiro reaja a esta situação.


Boicotes


Sem citar um país especificamente ou grupos comerciais, Moretti informou que recentemente o Parlamento de um país europeu chegou a interpelar o CEO de uma empresa por produzir no Brasil. Também citou o boicote liderado pela rede de supermercados sueca Paradiset, a maior da Escandinávia, contra produtos brasileiros. 


A Paradiset já retirou das suas prateleiras todas as marcas de café, águas-de-coco, chocolates, limões e mangas produzidas aqui, alegando que o Brasil virou "o paraíso dos agrotóxicos".

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