Placa com pergunta misteriosa é colocada no Parque dos Poderes

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FÁBIO ORUÊ

Um cartaz com a pergunta “O que acontece com o rato que solta o gato?”, foi colocado entre árvores nos altos da Avenida Mato Grosso, no Parque dos Poderes, em Campo Grande, em forma de protesto. O manifesto acontece após a deflagração da Operação Omertá, deflagrada na manhã de sexta-feira (27) e que combate milícia armada especializada em crimes de pistolagem.

Na imagem do rato, é possível notar a presença de um flautista, em referência à história do flautista de Hamelin, história dos irmãos Grimm, onde o tocador de flauta hipnotiza os ratos para livrar a cidade de Hamelin da infestação dos animais. A segunda linha trás a imagem de um gato preto com o símbolo de $ com barras na frente.  

OPERAÇÃO OMERTÁ

Conforme o Gaeco, Operação Omertá foi deflagrada com a finalidade de cumprir 13 mandados de prisão preventiva, 10 de prisão temporária e 21 de busca e apreensão, tendo como foco desarticular organização criminosa voltada à prática dos crimes de milícia armada, porte ilegal de arma de fogo de uso proibido, homicídio, corrupção ativa e passiva, dentre outros.

Empresários Jamil Name e Jamil Name Filho foram presos no Bairro Bela Vista, em cumprimento de mandado de prisão preventiva,.Na casa do empresário, foi apreendida uma pistola .9 milímetros de origem não comprovada e, no haras dele, foi encontrada uma espingarda calibre 12.

Também foram cumpridos mandados contra quatro guardas municipais, conhecidos como Paixoto, Igor, Arantes e Eronaldo, policial civil aposentado Vladenilson Daniel Olmedo, o militar aposentado do Exército Anderson Correia e o policial federal aposentado Everaldo Monteiro de Assis. Outros três funcionários foram encaminhados à delegacia, mas não tiveram os nomes revelados. 

No início da tarde, advogado Alexandre Golçalves Brandoloso, também preso na operação, teve liminar que revoga a prisão temporária concedida e será solto. 

Durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão, foram apreendidos, em poder do investigados, mais armas de fogo, munição, aparelhos celulares, computadores, documentos, R$ 160 mil em dinheiro  e cheques.

HABEAS CORPUS 

Sete pedidos de HC dos presos na operação foram negados nos últimos dois dias. Os primeiros foram do empresário Jamil Name e Jamil Name Filho, onde o desembargador plantonista substituto do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, Eduardo Machado Rosa, ao negar o pedido, afirmou que na decisão que decretou a prisão preventiva, magistrado delineou o modus operandi empregado pelos suspeitos na prática criminosa e a periculosidade dos mesmos, com indícios de autoria e materialidade dos crimes de  organização criminosa, porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, homicídios e demais crimes correlatos. O desembargador também negou pedido de liberdade aos policiais civis Vladenilson Daniel Olmedo e Márcio Cavalcanti da Silva.

Neste domingo (29), Luís Fernando da Fonseca e Euzébio de Jesus Araújo, respectivamente treinador de cavalos e motorista de Name, além do policial federal aposentado Everaldo Monteiro de Assis, acusado de fornecer informações sigilosas à milícia armada tiveram os HC negados.

Sobre Fonseca e Araújo, o desembargador Sideni Soncini Pimentel afirmou "ser necssária a continuidade da medida temporária pelo prazo previsto na lei", ou seja, 30 dias de detenção. O pedido da defesa alega que ambos "são meros serviçais" da família Name.

Já sobre Assis, preso em Bonito, a defesa pediu sua liberdade alegando que ele "sofreu constrangimento ilegal" por parte do juiz Marcelo Ivo, da 7ª Vara Criminal de Competência Especial de Campo Grande. Além disso, completam que  ele possui "bons antecedentes e trabalho fixo", sendo desnecessária a prisão.

Na sua decisão, o desembargador Pimentel no entanto rebate a defesa e diz que "não há indícios de que foram furtadas as senhas de acesso do policial federal aos sistemas de buscas" da corporação. A acusação contra Assis aponta a busca por dados de um fazendeiro na região de Bonito que seria alvo da milícia.

ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA

Investigações que culminaram na operação tiveram início em abril deste ano, em apoio aos trabalhos de investigação dos assassinatos do sub-tenente reformado da PM Ilson Martins Figueiredo, que trabalhava como chefe de segurança da Assembleia Legislativa; de Orlando da Silva Fernandes, ex-segurança do traficante paraguaio Jorge Rafaat; e homicídio do estudante de Direito Matheus Coutinho Xavier, 20 anos, executado em atentado que tinha como alvo o seu pai, o capitão reformado da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul,  Paulo Roberto Teixeira Xavier. As investigações foram conduzidas pela Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros (Garras).

Trabalho foi desenvolvido em conjunto entre o Garras e Gaeco e, em 19 de maio de 2019, o guarda municipal Marcelo Rios, apontado como um dos integrantes da organização criminosa, foi preso com um arsenal em residência no Monte Líbano. Na ocasião, foram apreendidos 2 fuzis AK 47, 4 fuzis 556, 11 pistolas 9mm, quatro carabinas 556 calibres .12 e .22 e um revólver 357.

Rios atualmente está preso preventivamente no presídio federal de Mossoró (RN). Outros dois guardas municipais, Robert Kopetski e Rafael Antunes da Silva, e o motorista Flavio Morais da Cunha, também estão presos. Por causa do envolvimento com o grupo de extermínio, Marcelo Rios e Kopetski foram demitidos da Guarda Civil Municipal.

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