O clima do adeus: Carille participa pouco e sai mudo (e atônito) em despedida do Corinthians

O clima do adeus: Carille participa pouco e sai mudo (e atônito) em despedida do Corinthians IMAGE

Os ares foram de melancolia nos últimos momentos de Fabio Carille como técnico do Corinthians.

Demitido após o time levar goleada de 4 a 1 para o Flamengo, no Maracanã, o técnico parecia pouco à vontade na beira do campo ainda antes da partida.

Com dias turbulentos e entrevistas coletivas que deram o que falar em São Paulo – se um dos líderes do elenco, o goleiro Cássio, preferiu evitar o termo desgaste, as palavras de Andrés Sanchez colocaram no ar a questão, Carille ia e voltava da área técnica, mas pouco falava ou orientava a equipe. Não esboçou reação nem para reclamar do pênalti que abriu o placar na partida.

– Infelizmente futebol tem coisas, e por alguns fatos que aconteceram ultimamente tivemos que tomar essa decisão – disse Andrés, logo após a partida.

A despedida com goleada soou irônica para um treinador que montou forte sistema defensivo em boa parte dos 183 jogos à frente do Corinthians. Foram 86 vitórias, 56 empates e 41 derrotas. Conquistou o Brasileirão de 2017 e o tricampeonato paulista (2017, 2018 e 2019).
Com o propósito de anular o Flamengo e aproveitar os espaços do adversário, o Corinthians começou bem a partida. Venceu todos os duelos aéreos até o pênalti de Cassio e ainda ameaçou com Gustavo, no início do primeiro tempo. Mas o olhar mais atento para Carille mostrava um treinador bem diferente.
Com o agitado Jorge Jesus do lado rubro-negro, o contraste ficou ainda mais evidente no tempo técnico. Os jogadores se reuniram e conversaram, com participação tímida do treinador da equipe. Durante a partida, passou instruções para Ralf, com o jogo parado, e para Cássio, antes de uma batida de tiro de meta. Na maior parte do tempo, assistiu com a mão no queixo e às vezes com os braços para trás.

A despedida com o elenco foi rápida, mas Carille demorou para deixar o estádio. Só entrou no ônibus do Corinthians quase duas horas depois da partida. Permanecia no vestiário com o auxiliar Leandro da Silva, o Cuca, e também com Duilio Monteiro Alves, diretor de futebol.

Ameaçou sair pela porta da frente, atravessando a zona mista na qual poucos jogadores falaram, mas deu meia volta e saiu pelos fundos do Maracanã. E encerrou sua passagem pelo Corinthians voltando para casa lado a lado com os mesmos dirigentes que o demitiram momentos antes da viagem a São Paulo.

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