Mato Grosso do Sul é o Estado brasileiro que mais esclarece homicídios

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Sejusp / Imagens: Divulgação

Dos estados brasileiros, Mato Grosso do Sul é o que mais esclarece homicídios, com índice superior a 70%. Em Campo Grande o esclarecimento de crimes com resultado morte é ainda maior e chega a 73% e se iguala à taxa de resolução dos órgãos de segurança dos países de primeiro mundo. Os dados são do Instituto Sou da Paz, que apontam ainda que a média nacional de elucidações de assassinatos não ultrapassa a casa dos 30%.

 

Motivo de orgulho, os percentuais são comemorados pela Polícia Civil, instituição responsável pela investigação dos homicídios, que são apurados a partir da instauração dos Inquéritos Policiais (IP), conforme o Delegado-Geral Marcelo Vargas, o percentual de elucidação dos crimes foi impulsionado nos últimos tempos pela forma como vem sendo conduzido o processo, desde o registro da ocorrência até a prisão dos acusados, passando antes disso pela capacitação dos policiais.

 

“Em via de regra quem chega primeiro na ocorrência é a Polícia Militar, que realiza a preservação do local de crime para que seja realizada a perícia, que tem como atividade principal a coleta das provas materiais que serão utilizadas consequentemente como elementos probatórios para a ação judicial. Aliado a esses fatores, também temos a dedicação e perspicácia dos nossos investigadores em relação às cenas dos crimes, observando detalhes que poderão levar a identificação dos autores”, explica.

 

A meta da Polícia Civil em 2019 é conseguir chegar a 80% de esclarecimentos de homicídios, para isso algumas ações estão sendo implementadas para melhorar ainda mais esses números, como a criação de um grupo de operações ou de pronto emprego, para atuar na faixa de fronteira, a exemplo do Grupo de Operações e Investigações (GOI), que atua 24 horas e sua prioridade é o atendimento dos crimes de homicídio.

 

“Aconteceu um homicídio já temos uma equipe do GOI (Grupo de Operações e Investigações) no local, que inicia imediatamente os procedimentos de investigação, uma vez que não retarda o início das investigações, preserva as provas no local de crime, e possibilita muita das vezes a prisão em flagrante do autor do crime”, afirma o Delegado-Geral da Polícia Civil.

 

Marcelo Vargas, Delegado-Geral da Polícia Civil - Foto: Divulgação

Tirocínio

Atualmente são inúmeras as ferramentas utilizadas na elucidação de crimes, mas da química e física próprios da perícia, vestígios deixados no local do crime, as vezes “falam” mais que muitas testemunhas. Mas, um dos mais antigos e eficientes instrumentos de apuração de crimes é o bom e velho tirocínio policial.

 

Cláudio da Natividade Pereira é investigador e integra a competente equipe de investigadores do Grupo de Operações e Investigações (GOI) da Polícia Civil de Campo Grande. Dos crimes que já ajudou a esclarecer e dos autores que prendeu, perdeu as contas e diz que os policiais do GOI, que muitas vezes chegam aos locais antes mesmo do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mais que levantar informações, utilizam o “faro” policial para identificar suspeitos.

 

“É muito importante preservar a cena do crime, pois ela fala muito sobre as circunstâncias, a vítima e principalmente sobre o autor, e quando chegamos ao local o primeiro passo é usar o tirocínio para levantar informações, puxar os antecedentes da vítima, relacionamentos e parentescos, o que na maioria das vezes faz com que a gente saia do local com o suspeito preso, ou no mínimo qualificado”, afirma o investigador.

 

Estatística

Levantamentos da Polícia Civil em relação ao ano de 2018, mostram que 100% dos casos de feminicídio registrados, foram esclarecidos.  Dos latrocínios, a elucidação chega à casa dos 75% e os homicídios com mais 70%. Para se ter uma ideia dos 79 municípios que compõem o Estado, 23 solucionaram todos os crimes contra a vida, ou seja, índice de 100%.

 

Outros 17 municípios sul-mato-grossenses estão com mais de 60% dos crimes contra a vida elucidados, entre eles, as cidades mais populosas como Três Lagoas (94,1%), Dourados (71,7%), Campo Grande (65%) e Corumbá (62,1%). É importante destacar que o percentual pode crescer ainda mais no decorrer do ano, visto que se um caso ocorrido no ano passado seja solucionado no decorrer de 2019, ele fica computado de acordo com a data da ocorrência.

 

O secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, Antonio Carlos Videira - Foto: Divulgação

O secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, Antonio Carlos Videira, afirma que o resultado está relacionado ao trabalho que vem sendo desenvolvido pelas forças de segurança, com apoio do Governo do Estado que tem feito investimentos significativos nesta área, por meio do programa MS Mais Seguro, que totaliza mais de R$ 130 milhões, o que proporcionou a aquisição de novas viaturas, equipamentos, munições e contratação de novos servidores, além da implantação de 11 núcleos de inteligência no interior do Estado.

 

“Nós estamos trabalhando muito, e temos obtido resultados positivos colocando MS em destaque nacional, mas nem por isso, podemos ficar em uma zona de conforto. Promover segurança pública é a nossa missão, outra coisa é a sensação de segurança que se faz com policiais nas ruas, com repressão e ações de prevenção. Neste caso, não tem como fazermos isso sozinhos, precisamos compartilhar essa responsabilidade com a sociedade em geral”, pontua.

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