Em mês com umidade lá embaixo, até exercício físico tem horário certo

Em mês com umidade lá embaixo, até exercício físico tem horário certo IMAGE

Estiagem modifica a paisagem nesta tera-feira 13 Foto Henrique Kawaminami

 (Foto: Henrique Kawaminami)

Vilão da umidade, o mês de agosto é tradicionalmente o mais seco do ano, segundo os meteorologistas. Nesta semana, a chegada de uma rápida frente fria à Mato Grosso do Sul causa alívio quase imperceptível na umidade relativa do ar, que volta a subir no final de semana. Entre sexta (16), sábado (17) e domingo (18), os índices devem variar entre 15 e 20%, segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia).

Já é motivo de alerta para o Instituto, que ainda não espera “índice vermelho”, quando a umidade fica abaixo dos 12%. O menor índice dos últimos anos foi registrado em agosto de 2016, em Cassilândia, a 418 km de Campo Grande, com apenas 9% de umidade relativa do ar, segundo o meteorologista da Uniderp, Natalio Abraão.

Em 2017 e 2018 não foi muito melhor e os 10% foram sentidos em Rio Brilhante, a 163 km de Campo Grande e Sidrolândia, a 71 km, respectivamente. Neste ano, que ainda não atingiu esses números, a corrida para garantir aparelhos que deixem o ar mais úmido, nas lojas, e a corrida nos consultórios, para tratar doenças respiratórias, já é sentida em Campo Grande.

Um pouco de prevenção e cuidado, ainda assim, podem aliviar as dificuldades. Médico otorrinolaringologista e diretor-presidente da Cooperativa dos Otorrinolaringologistas de Mato Grosso do Sul, Edil Albuquerque Junior afirma que a secura prejudica as vias respiratórias superiores, já que o ar entra sem estar umidificado e aquecido, causando irritação.

É pior, no entanto, para os alérgicos, a exemplos de quem sofre com rinite, sinusite e bronquite. “A baixa umidade é pior para pessoas alérgicas, mas quem não tem quadro alérgico tem que prevenir porque pode pegar uma doença viral, o ar entrando causa irritação”, comentou.

Os cuidados são simples, como uso de soro fisiológico diariamente, panos úmidos e uma bacia com água nos cômodos da casa. Até um ato simples, como beber água, deve ser lembrado. “O ressecamento também ocorre causando desidratação, se o clima tiver seco e quente, tem que ingerir mais água”, diz o médico.

Além disso, hidratantes para a pele, por exemplo, também estão entre os cuidados. A baixa umidade é alerta até para os exercícios físicos, que tem hora certa quando o tempo está seco demais. Conforme o especialista, é recomendado evitar o horário entre às 10h e às 16h.“A umidade, devido ao sol atingir o ápice, atinge os índices mais baixos, é bom evitar porque você pode ter uma crise. A prática exige mais, o ar vai entrar mais rápido, o fluxo de ar maior pode irritar mais, causa mais tosse”, comenta.

Nos consultórios, comenta, a procura maior é das mães, preocupadas com as crianças pequenas. “Todos os anos parece que o clima tem sofrido uma mudança de padrão, não só em Campo Grande, mas no mundo inteiro, mistura o frio com tempo seco, calor com tempo seco, é atípico. Para as consultas essa época é sempre maior, as crianças sofrem mais, atendemos bastante criança. Quando voltam as aulas, entram em contato, os vírus se transmitem mais”, diz.

Nas lojas, os estoques atualizados toda semana mal dão conta dos pedidos por umidificadores e climatizadores. Vendedora de uma loja na região central de Campo Grande, Janaina Ortiz, 32, disse que só restavam 4 umidificadores no estoque nesta terça-feira (13). “Tem tido muita procura por conta do tempo seco, beirando 90% de aumento na procura e na saída dos umidificadores”, diz.

“Chega e já acaba o estoque, e muitos dos que chegam são vendidos na internet e o cliente só vem retirar na loja”, comenta. Além dos 4 aparelhos, apenas um climatizador restava na loja.

No centro da cidade é possível encontrar umidificadores pelo preço de R$ 99, mas os valores podem beirar os R$ 200, de acordo com a marca e capacidade do produto. A vendedora Aline Cavalheiro, 23, afirma que o modelo mais barato já acabou na loja onde trabalha.

“A procura está muitíssimo alta, tanto é que o modelo menor já acabou. Cada reposição vem 50 unidades e agora só temos 23 na loja. O climatizador já acabou”, conta. Entre os clientes, assim como nos consultórios, o principal público são mães de crianças e bebês.


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