Abre Aspas #2: Jardel agora usa a cabeça para tentar fugir de uma "vida desgraçada"

Abre Aspas #2: Jardel agora usa a cabeça para tentar fugir de uma


Abre Aspas #2: veja principais trechos da entrevista com Jardel

Mario Jardel visitou os extremos do futebol: foi da fama à solidão, das luzes do estrelato à escuridão do fundo do poço – uma “vida desgraçada” de onde, garante, conseguiu escapar. Aos 45 anos, o ídolo histórico de clubes como Grêmio e Porto diz, nesta entrevista, que é um novo homem, recuperado da depressão, das drogas, do álcool e da cassação política que arranhou uma biografia de grandes títulos, de tantos gols.

Em conversa de uma hora, Jardel faz o itinerário de uma vida transformada em montanha-russa. Fala de suas maiores glórias e de seus piores pesadelos. Conta dos ensinamentos a Cristiano Ronaldo – e do “namorico” entre sua irmã e o craque português. Lamenta não ter disputado uma Copa do Mundo – mas lembra como, mesmo assim, chorou de alegria por Felipão. E garante: “Não existe mais cabeceador igual a mim”.

Ele é o segundo entrevistado do quadro Abre Aspas.

Jardel, talvez a melhor maneira de começar essa conversa seja fazer a pergunta mais simples possível: como você está? Como está se sentindo e como está de saúde?

Cara, tô numa outra vida, muito feliz por poder dizer que nunca me senti tão bem. Deu uma mudança radical, uma transformação tremenda. Hoje tenho muita fé em Deus, que vai me manter muito tempo assim. É uma vida nova, sem bebida, sem drogas, sem prostituição. Estou há quatro meses sem tomar remédio para dormir. Sou uma pessoa renovada e bem consciente de que posso servir a sociedade com esse resgate, com palestras, com várias coisas que estão vindo devagarinho. A vida está mais saborosa. A cada dia, fico mais contente com minha atitude, com essa mudança.

Jardel foi um dos maiores centroavantes do planeta E agora experimenta novas vitrias  Foto Diogo VenturelliJardel foi um dos maiores centroavantes do planeta E agora experimenta novas vitrias  Foto Diogo Venturelli

Jardel foi um dos maiores centroavantes do planeta. E agora experimenta novas vitórias — Foto: Diogo Venturelli

O que você tem feito? Quais suas atividades?

Moro em Fortaleza. Vou para a igreja três vezes por semana. Faço trabalho de intermediário de jogadores, levando para Porto Alegre, pro Brasil e pro mundo, principalmente Portugal. Fico no telefone, vou ver jogos. Levo uma vida social com pessoas certas. Algumas amizades têm que ser cortadas. Estou num caminho com direção, bem agradável, bem tranquilo, com paz espiritual. E estou muito feliz de poder dar essa entrevista, revelando que hoje sou uma nova pessoa. Vou pra minha praia, vou pra aniversários, pro cinema. Voltei a ter aquela vida que eu tinha antes.

Qual foi o momento em que você pensou: “Preciso mudar”?

Foi uns cinco ou seis meses atrás. Eu estava tomando muito remédio para depressão e comecei a buscar a igreja. Cada um tem sua religião, e ela precisa ser respeitada. Minha esposa, Sandra, também me ajudou muito. É uma luta. Não é fácil. O cãozinho vem perturbando... Tenho estado muito seguro de minha serenidade, de meu equilíbrio mental, e isso tem me fortalecido. Às vezes, caio na real, porque as pessoas dizem “Jardel, tu é o único brasileiro com duas Chuteiras de Ouro na Europa, foi artilheiro da Libertadores, artilheiro da Champions League, campeão. Tu tem que se valorizar mais”. Comecei a me dar mais valor.

E o que fez você mudar? Houve algum episódio?

Eu mesmo. Eu senti que não dava mais para continuar naquela vida desgraçada, uma vida que não levava a nada.

Que vida era essa?

Depois daquela situação em Porto Alegre, como deputado... Até hoje tenho meus bens bloqueados por causa daquela situação. Tinha largado da droga, e há pouco tempo larguei da bebida também. Você vai num churrasco, tem a bebida, tem a droga. É como o Casagrande fala nas entrevistas. Você chega, é conhecido, vai ter tudo. Muitas coisas na vida têm origens hereditárias. É uma luta diária. Mas sei que essa vida não é pra mim. Já passou. Espero me manter pro resto da vida assim. Tenho certeza de que vai dar tudo certo.

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Em 2008 Jardel admite uso de cocana

Em 2008, Jardel admite uso de cocaína

O que essa vida desgraçada, como você citou, tirou de você?

Tirou tempo. Tirou o tempo que eu poderia ter aproveitado melhor. Vou fazer 46 anos, foram de oito a nove anos em que andei em um mundo muito cruel. Se pudesse, eu não faria o que fiz. Quero viver intensamente e tentar recuperar esses anos perdidos de outra maneira, usando minha capacidade, meu conhecimento e meu nome para ajudar, fazer ações sociais, passar uma imagem... Sei que é difícil, porque notícia ruim corre rápido, e notícia boa... Hoje vocês estão tendo uma notícia muito boa, que é: Jardel está bem.

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